domingo, 17 de fevereiro de 2008

ParanoArte trabalha inclusão social e auto-estima

Há quatro anos, um grupo de mulheres de baixa renda reuniu-se e montou a Paranoarte. O grupo se conheceu durante os encontros de terapia comunitária que realizavam no Paranoá, no Distrito Federal.

Com o apoio de Aida Souza, hoje coordenadora geral da ONG, o grupo pôde muito mais que apenas expressar suas dificuldades e trocar experiência de vida. Com a rede solidária, criam, costuram e tecem roupas e artigod decorativos possibilitando a geração de renda e a melhoria da auto-estima.

Helenice Bastos, gerente de projetos da Paranoarte, recebeu o Finíssimo na última semana. Ela explica que a idéia surgiu em um encontro terapêutico “Começamos a perceber que os problemas dessas mulheres eram sempre os mesmos. Era o gás que não tinham para cozinhar, roupas para as crianças que não conseguiam comprar. Então tivemos a idéia de promover algo com que elas pudessem gerar renda. As mulheres votaram e escolherem a técnica do amarradinho para produzir. Elas se uniram e começaram a vender os tapetes em feiras.”

“Trabalhar na Paranoarte mudou muito a vida da gente. Hoje somos professoras. Só de saber que isso foi começado por mim já é maravilhoso”, conta Valdemira Maria de Jesus a artesã que ensinou a técnica do amarradinho para as colegas.

Após dois anos de atuação, por meio de um convênio com o Sebrae, as artesãs passaram a aplicar a técnica em outros produtos, como em bolsas. Em 2006, a cooperativa foi convidadas a integrar o Brasília Fashion Festival. “Na época já tínhamos alguns núcleos trabalhando com o crochê. Chamamos a Sidma Kurtz para desenhar a coleção e nossas artesãs executaram. Hoje as roupas da Paranoarte são vendidas em quatro pontos de venda em Brasília, Belo Horizonte e Bahia.”, conta Helenice.

A Paranoarte trabalha com três conceitos de reaproveitamento. As malhas usadas nos tapetes são de resíduos têxteis da confecção da marca brasiliense de moda fitness No Limits, que são doadas pelo proprietário Luiz Cláudio à cooperativa. O segundo trabalho é o reaproveitamento de banners do shopping Pátio Brasil, que viram bolsas e carteiras. Há também o reaproveitamento de jornal utilizado em objetos de decoração.

Mesmo com a produção e segmentação do trabalho, a maior preocupação da Paranoarte ainda é com a saúde mental das mulheres que fazem parte da comunidade. “Participar da terapia ajuda muito. Às vezes estou em casa com muitos problemas e não quero contar para ninguém. Chego aqui, desabafo e já alivia bastante. Ouço outras pessoas, canto, danço, me divirto mesmo.”, conta Corina de Souza, uma das artesãs.

Gabriela Rocha - Repórter e fotógrafa

Fonte: http://www.finissimo.com.br/vitrine/2007-11-22/

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